Defesa Civil interdita 25 imóveis em área de encosta no Jardim Santo André

Núcleo Cruzado é classificado como área de risco muito alto para deslizamentos e famílias foram encaminhadas para locais seguros


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A Defesa Civil de Santo André interditou 25 imóveis entre quinta-feira (17) e sexta-feira (18) em uma área de encosta no Núcleo Cruzado, no Jardim Santo André. A ação preventiva foi realizada diante da identificação de sinais de instabilidade no terreno e do risco de deslizamentos.

A área é classificada como de risco muito alto (R4) para deslizamento de terra pelo Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR). Durante as avaliações, as equipes identificaram grandes sinais de movimentação de terra, queda de árvores, trincas de abatimento no solo, erosões e imóveis com possibilidade de colapso iminente.

O terreno pertence à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), vinculada ao Governo do Estado de São Paulo. Segundo a administração municipal, algumas habitações do local já haviam sido interditadas anteriormente.

A operação ocorre em um período de chuvas acima da média em Santo André. Entre os dias 1º e 14 de setembro, o município registrou acumulado médio de 240 milímetros de precipitação. O volume representa 112% acima da média climatológica prevista para todo o mês, de 113,27 milímetros.

No Jardim Santo André, o acumulado registrado no mesmo período chegou a 316,2 milímetros, conforme os dados apresentados pela administração municipal.

O prefeito Gilvan Ferreira afirmou que a decisão de retirar os moradores considera as condições meteorológicas e a necessidade de reduzir a exposição das famílias ao risco.

“Diante do cenário de chuvas acima da média, que já torna este setembro o mais chuvoso dos últimos dez anos, optamos por conversar com os moradores e levá-los para locais seguros. Antes de qualquer coisa, nosso objetivo será sempre preservar vidas, garantindo todo o amparo necessário às famílias”, declarou.

Segundo o secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Edinilson Ferreira dos Santos, a combinação entre o volume elevado de chuva e a saturação do solo aumenta a possibilidade de novos movimentos de terra.

“O agravamento do cenário climático, agora também em decorrência do fenômeno El Niño, exige cada vez mais ações rápidas, integradas e preventivas. Em muitas áreas da cidade o solo ainda está saturado por causa do alto índice pluviométrico, o que agrava seriamente o risco de deslizamento de terra”, explicou.

A operação é coordenada pela pasta ambiental, por meio da Defesa Civil, com participação das secretarias de Desenvolvimento Urbano e Habitação e Assistência Social, além do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André).

As famílias retiradas dos imóveis estão sendo orientadas pelas equipes e encaminhadas para acolhimento pela assistência social. A diretora do Departamento de Proteção e Defesa Civil, Priscila de Oliveira, destacou a necessidade de combinar a avaliação técnica com o diálogo com os moradores.

“Este é um momento muito delicado. Por isso, nossa equipe precisa estar preparada não apenas tecnicamente, mas também para dialogar, ouvir e ter empatia com cada família. Sabemos que deixar uma casa, mesmo quando ela oferece riscos, não é uma decisão simples”, afirmou.

Nos próximos dias, as equipes municipais deverão continuar avaliando a área mapeada para atualizar os diagnósticos sobre as condições do terreno e das edificações.

Sinais de instabilidade

Com a previsão de continuidade das instabilidades meteorológicas, a Defesa Civil orienta moradores, principalmente aqueles que vivem próximos a encostas, a observar possíveis sinais de movimentação do terreno ou comprometimento das estruturas.

Entre os principais sinais de alerta estão rachaduras ou fendas no solo, paredes e muros; inclinação incomum de árvores, postes, cercas ou muretas; estalos ou ruídos em estruturas dos imóveis; abatimento ou movimentação do terreno; água barrenta na base de barrancos; e movimentação de terra.

Caso algum desses sinais seja identificado, a orientação é deixar imediatamente o local e procurar um ponto seguro. A Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199, enquanto o Corpo de Bombeiros atende pelo 193.

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