Santo André começou a implantar uma nova solução de infraestrutura verde para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e reduzir a pressão sobre o sistema de drenagem durante períodos de chuva intensa. As chamadas jardineiras de chuva estão sendo instaladas na Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na região de Vila Guarani e Centreville.
A iniciativa funciona a partir da captação da água que cai sobre os telhados das residências. Em vez de seguir diretamente para as calçadas e posteriormente para as estruturas convencionais de drenagem, como bocas de lobo e galerias, parte desse volume é direcionada para as jardineiras.
As estruturas armazenam temporariamente a água, ajudam a filtrá-la e depois conduzem o recurso para áreas verdes. O sistema também contribui para a irrigação da vegetação existente no canteiro central da avenida, reduzindo a velocidade e o volume de água que chega à rede de drenagem.
Embora tenha características semelhantes às dos jardins de chuva, já utilizados em outras cidades, a jardineira tem uma função específica. O objetivo principal é reter a água, melhorar sua qualidade e aproveitá-la na irrigação de áreas verdes, e não priorizar a infiltração no solo.
Ao todo, serão construídas nove estruturas ao longo da Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello. As jardineiras são formadas por alvenaria e utilizam materiais como entulho ou brita, manta bidim, terra e plantas, que atuam no processo de retenção e filtragem.
Uma canaleta será responsável por conduzir parte da água captada até o canteiro central da via, localizado entre a calçada e a faixa ciclística. A solução busca integrar o manejo das águas pluviais à qualificação dos espaços urbanos.
O projeto piloto é realizado pelo Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores de Favelas de Santo André (MDDF), em parceria com as secretarias municipais de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e de Desenvolvimento Urbano e Habitação, além do Semasa.
A implantação integra o projeto Favelas Verdes Resilientes e foi viabilizada a partir da participação do município no programa Cidades Verdes Resilientes. Por meio do edital Periferias Verdes Resilientes, do Ministério das Cidades, foram destinados R$ 1,5 milhão para iniciativas de infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza na região de Nova Centreville.
“Estamos construindo uma Santo André mais preparada para os desafios impostos pelas mudanças climáticas. As jardineiras de chuva são um exemplo de como podemos unir inovação, sustentabilidade e soluções simples e eficientes para reduzir a sobrecarga do sistema de drenagem”, afirmou o prefeito Gilvan Ferreira.
A primeira etapa do projeto foi dedicada à capacitação dos moradores e à educação ambiental. A segunda fase começou com a implantação das jardineiras e prevê novas intervenções no território.
Segundo o coordenador da iniciativa, Felipe Palma, estão previstas a construção de canteiros pluviais, ações de arborização urbana e a implantação de outro Quintal Verde, espaço destinado à compostagem de resíduos orgânicos e ao desenvolvimento de práticas de agricultura sustentável.
A proposta é combinar infraestrutura verde, educação ambiental e participação dos moradores para ampliar a capacidade de resposta do território diante de eventos climáticos extremos. Além do manejo das águas da chuva, as intervenções também buscam recuperar e qualificar espaços públicos e ampliar a presença de soluções sustentáveis no ambiente urbano.

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