Santo André desenvolve sistema para mapear famílias em áreas de risco

GeoRisco Santo André permitirá à Defesa Civil cadastrar moradores por celular e agilizar o atendimento durante chuvas intensas e outras emergências


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A Prefeitura de Santo André desenvolveu uma nova ferramenta digital para aprimorar o trabalho de prevenção e resposta a situações de risco. Batizado de GeoRisco Santo André, o sistema permitirá à Defesa Civil realizar, diretamente em tablets e celulares, o cadastramento socioestrutural de famílias que vivem em áreas vulneráveis do município.

A aplicação foi criada por meio de uma parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, o Departamento de Proteção e Defesa Civil e o Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança). A tecnologia reúne informações georreferenciadas dos imóveis e moradores, permitindo identificar com maior precisão os pontos sujeitos a diferentes tipos de ameaças.

Na prática, os agentes poderão registrar a localização exata das famílias, além da característica do risco existente em cada área. O sistema contempla ocorrências geológicas, como deslizamentos e erosões; hidrológicas e climatológicas, incluindo inundações, enxurradas e incêndios; além de riscos tecnológicos relacionados a atividades industriais.

A ferramenta pode ter impacto direto na resposta a emergências. Em uma situação de chuva intensa, por exemplo, o painel administrativo permitirá filtrar rapidamente os moradores de uma determinada região e identificar pessoas que possam necessitar de atendimento prioritário, como idosos, gestantes, crianças, pessoas com deficiência e acamados.

Com essas informações organizadas em uma mesma plataforma, as equipes poderão planejar rotas de fuga e deslocamentos de socorro de maneira mais precisa. A proposta é reduzir o tempo necessário para localizar moradores em situações críticas e melhorar a tomada de decisão durante eventos climáticos extremos.

Os dados também poderão ser utilizados fora dos momentos de emergência. A centralização das informações permitirá a elaboração automatizada de relatórios demográficos e o aprimoramento dos planos de contingência municipais. O material ainda poderá auxiliar na análise para concessão de benefícios assistenciais, como auxílio-aluguel, e no planejamento de políticas de habitação de interesse social.

O desenvolvimento do GeoRisco também envolveu testes diretamente no território. Estudantes do primeiro ano do Inteli participaram de atividades na Comunidade Morro da Kibon, onde puderam conhecer as condições de uma área de risco e avaliar a utilização da plataforma junto à realidade enfrentada pelos moradores e pelos agentes públicos.

A experiência faz parte da metodologia de ensino adotada pela instituição, baseada no Project-Based Learning (PBL), em que os estudantes desenvolvem soluções para problemas reais apresentados por empresas e organizações públicas. Segundo o Inteli, quase 800 protótipos já foram produzidos por alunos para 115 organizações de diferentes áreas.

Para a Defesa Civil de Santo André, a aproximação entre conhecimento acadêmico e experiência operacional foi importante para adaptar a ferramenta às necessidades encontradas no trabalho de campo. A diretora de Proteção e Defesa Civil, Priscila de Oliveira, destaca que a tecnologia amplia a capacidade de gestão preventiva e pode contribuir para a proteção da população.

A estrutura do sistema foi desenvolvida para permitir novas funcionalidades. Entre as possibilidades estudadas para as próximas etapas estão a inclusão de indicadores demográficos e a criação de mecanismos para envio automatizado de alertas meteorológicos e orientações de evacuação diretamente aos celulares de famílias que estejam em áreas ameaçadas por inundações ou em setores de encosta.

A iniciativa também integra as estratégias municipais de adaptação e resiliência diante das mudanças climáticas, aproximando a gestão pública de soluções tecnológicas desenvolvidas em parceria com instituições de ensino. A expectativa é que o uso de dados georreferenciados contribua para antecipar respostas e tornar a atuação em áreas vulneráveis mais rápida e direcionada.

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